O mercado de aviação no Brasil vive uma mudança importante em 2026. Tradicionalmente, após o período de alta temporada, os preços das passagens aéreas tendiam a cair, acompanhando a redução da demanda. No entanto, este ano trouxe uma inversão desse padrão.
Mesmo com o fim das férias e a entrada em um período historicamente mais estável, as passagens domésticas voltaram a subir e já acumulam alta próxima de 20% desde o início de março.
O movimento contrasta diretamente com o comportamento observado no ano anterior. No mesmo período de 2025, as tarifas haviam registrado queda de aproximadamente 7,5%, refletindo uma dinâmica mais tradicional de mercado.
O que está por trás da alta
O principal fator por trás dessa elevação nos preços é o aumento significativo no custo do querosene de aviação (QAV), um dos principais componentes da estrutura de custos das companhias aéreas.
Dados recentes indicam que o combustível sofreu aumentos consecutivos de 9,4% e 55%, acompanhando a valorização do barril de petróleo no mercado internacional.
Esse impacto é direto e imediato. No Brasil, o combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, o que torna o setor altamente sensível a variações no preço do petróleo e do dólar.
Quando esse custo sobe, a transferência para o consumidor final é praticamente inevitável.
Mudança estrutural no comportamento do mercado
A alta das passagens em um período fora da alta temporada indica uma mudança estrutural na dinâmica do setor.
Mais do que um movimento pontual, o cenário aponta para um novo equilíbrio de preços, onde fatores como custo operacional e pressão inflacionária passam a ter maior peso do que a sazonalidade tradicional da demanda.
Isso significa que o modelo clássico de “esperar a baixa temporada para pagar mais barato” já não é uma garantia.
Impacto direto no comportamento do viajante
O aumento no custo das passagens impacta diretamente o planejamento do consumidor.
O viajante tende a:
• antecipar compras para garantir melhores tarifas
• reduzir a frequência de viagens
• buscar destinos alternativos com melhor custo-benefício
• priorizar pacotes fechados que ofereçam previsibilidade de preço
Esse novo comportamento reforça uma tendência já observada no turismo global: o consumidor está mais estratégico e mais sensível ao custo total da viagem.
O que se observa em 2026 é um turismo mais caro — e, ao mesmo tempo, mais estratégico.
O crescimento do setor não está necessariamente ligado ao aumento no número de viagens, mas ao aumento no valor gasto por viagem.
Nesse contexto, a aviação se torna um dos principais pontos de pressão na cadeia do turismo.
O preço das passagens está subindo mais que os aviões
O desafio para o mercado não é apenas acompanhar esse aumento, mas encontrar formas de manter a acessibilidade e estimular a demanda em um cenário de custos elevados.
A lógica mudou: o preço da viagem já não acompanha apenas a demanda — ele passa a refletir, principalmente, o custo de manter o setor em operação.