O desejo de deixar os Estados Unidos para morar permanentemente em outro país alcançou um nível recorde entre as mulheres americanas mais jovens. Em 2025, 40% das mulheres de 15 a 44 anos afirmaram que se mudariam para o exterior se tivessem oportunidade, segundo uma pesquisa internacional da Gallup.
O percentual é quatro vezes maior do que o registrado em 2014, quando 10% das mulheres dessa faixa etária manifestavam o mesmo interesse. O movimento reflete mudanças nas expectativas sobre qualidade de vida, trabalho, segurança financeira, direitos individuais e futuro familiar.
Os dados também aparecem em um momento de forte crescimento das viagens internacionais realizadas por americanos. Em 2024, os residentes dos Estados Unidos fizeram 107,7 milhões de viagens internacionais, o maior total da história e 9,2% acima do resultado de 2023.
Apesar das duas tendências caminharem na mesma direção, é importante fazer uma distinção: viajar mais para o exterior ou demonstrar desejo de emigrar não significa que todos esses americanos estejam efetivamente deixando o país de forma permanente.
Quatro em cada dez mulheres jovens consideram morar fora dos Estados Unidos
A pesquisa da Gallup perguntou aos participantes se eles gostariam de se mudar permanentemente para outro país, caso tivessem oportunidade.
Entre as mulheres americanas de 15 a 44 anos, o percentual chegou a 40% em 2025. Em 2014, a proporção era de apenas 10%.
A Gallup observa que o interesse cresceu de maneira consistente ao longo dos últimos anos e não parece representar apenas uma reação temporária a um único evento político ou econômico.
O resultado chama atenção porque essa faixa da população reúne mulheres em diferentes momentos da vida:
* estudantes;
* profissionais em início de carreira;
* mães de crianças pequenas;
* trabalhadoras remotas;
* empreendedoras;
* mulheres que planejam formar uma família;
* profissionais em busca de oportunidades internacionais.
A vontade de morar no exterior pode envolver razões financeiras, profissionais, familiares, sociais ou culturais.
Desejo de emigrar não é o mesmo que mudança efetiva
O dado de 40% mede uma intenção ou desejo, e não o número real de mulheres que deixaram os Estados Unidos.
Mudar permanentemente para outro país exige uma série de condições, como:
* visto ou autorização de residência;
* emprego ou renda suficiente;
* planejamento tributário;
* seguro-saúde;
* moradia;
* adaptação cultural;
* domínio do idioma;
* organização familiar;
* recursos para a mudança.
Por isso, apenas uma parcela das pessoas que manifesta vontade de emigrar consegue concretizar o plano.
Também não existe um sistema único e abrangente que contabilize, em tempo real, todos os cidadãos americanos que passam a morar no exterior. Muitos mantêm residência, vínculos financeiros, propriedades ou endereço fiscal nos Estados Unidos, mesmo vivendo parte do ano em outro país.
Viagens internacionais de americanos bateram recorde
Embora os dados não comprovem uma saída definitiva em massa, eles mostram que os americanos estão viajando cada vez mais para fora do país.
Em 2024, foram registradas 107,7 milhões de viagens internacionais realizadas por residentes dos Estados Unidos. O total representou:
* crescimento de 9,2% sobre 2023;
* aumento de 8% em relação a 2019;
* superação do antigo recorde anterior à pandemia.
O número inclui viagens para o México, Canadá e destinos de outros continentes.
É importante observar que o indicador contabiliza saídas ou viagens, e não viajantes únicos. Uma mesma pessoa que tenha feito três viagens internacionais durante o ano pode aparecer três vezes no total.
Ainda assim, o resultado confirma o aumento da mobilidade internacional dos americanos.
Movimento continuou forte em 2025
Os dados mensais de 2025 indicaram que a tendência permaneceu elevada.
Em janeiro de 2025, os cidadãos americanos realizaram 7,62 milhões de saídas internacionais, alta de 9,8% em comparação com o mesmo mês de 2024.
Em fevereiro, foram contabilizadas 7,37 milhões de partidas, crescimento de 4,6%. Em abril, o total chegou a 8,56 milhões, aumento de 5,9% sobre o ano anterior.
Agosto apresentou um dos maiores movimentos do ano, com 10,23 milhões de saídas internacionais de cidadãos americanos, 4,4% acima do registrado em agosto de 2024.
Em setembro, foram 8,55 milhões de saídas, e outubro registrou 8,69 milhões, mantendo o fluxo acima do ano anterior.
Os números são compilados pelo National Travel and Tourism Office a partir de informações do Departamento de Segurança Interna e da alfândega americana.
Europa ganha espaço entre os americanos
A Europa permanece entre as regiões mais procuradas pelos viajantes dos Estados Unidos.
Somente em agosto de 2025, foram registradas aproximadamente 2,47 milhões de viagens de americanos para países europeus, o equivalente a 24,1% de todas as saídas internacionais daquele mês.
O volume de viagens para a Europa cresceu 5,6% em comparação com agosto de 2024.
Destinos como Portugal, Espanha, Itália, França e Reino Unido atraem americanos interessados em:
* turismo;
* experiências culturais;
* estudos;
* aposentadoria;
* trabalho remoto;
* dupla cidadania;
* aquisição de imóveis;
* residência temporária ou permanente.
Portugal e Espanha ganharam destaque nos últimos anos entre aposentados, trabalhadores remotos e famílias que buscam uma vida mais próxima do modelo europeu.
México concentra uma das maiores comunidades de americanos no exterior
O México continua sendo um dos principais destinos para cidadãos dos Estados Unidos que desejam viajar, passar temporadas prolongadas ou estabelecer residência.
Uma estimativa divulgada pelo Departamento de Estado indicava aproximadamente 1,6 milhão de cidadãos americanos vivendo no México, o maior contingente de americanos em um único país estrangeiro.
A proximidade geográfica, o clima, o custo de vida e a facilidade de conexão aérea e terrestre ajudam a explicar essa preferência.
Entre os destinos mais procurados estão:
* Cidade do México;
* San Miguel de Allende;
* Mérida;
* Puerto Vallarta;
* Cancún;
* Playa del Carmen;
* Los Cabos;
* região do Lago Chapala.
No entanto, o custo de vida também subiu em várias dessas localidades, especialmente em bairros procurados por estrangeiros.
Emissão de passaportes também alcançou nível elevado
O interesse dos americanos por viagens internacionais também aparece na emissão de passaportes.
No ano fiscal de 2025, o Departamento de Estado emitiu 27,35 milhões de passaportes e cartões-passaporte, acima dos 24,52 milhões emitidos em 2024 e dos 24,02 milhões registrados em 2023.
O crescimento não significa, por si só, intenção de morar fora. O passaporte pode ser solicitado para férias, trabalho, estudos, visitas familiares ou viagens frequentes.
Ainda assim, o número mostra uma expansão do interesse pela mobilidade internacional.
Alto custo de vida influencia a procura por outros países
O custo de vida aparece com frequência entre as razões que levam americanos a pesquisar alternativas no exterior.
Moradia, saúde, educação, seguros, alimentação e transporte ficaram mais caros em várias regiões dos Estados Unidos.
Grandes centros urbanos como Nova York, Miami, Los Angeles, San Francisco, Boston e Seattle apresentam despesas elevadas, especialmente para famílias e profissionais mais jovens.
Ao comparar os gastos, alguns americanos percebem que a renda obtida nos Estados Unidos pode oferecer maior poder de compra em países da América Latina, Europa ou Ásia.
Esse cálculo se torna ainda mais atrativo para quem trabalha remotamente e recebe em dólar.
Trabalho remoto ampliou as possibilidades de mudança
A consolidação do trabalho remoto permitiu que parte dos profissionais deixasse de depender de um escritório localizado nos Estados Unidos.
Com isso, trabalhadores das áreas de tecnologia, marketing, consultoria, design, finanças e produção de conteúdo passaram a considerar morar temporariamente em outros países.
Alguns destinos criaram vistos específicos para nômades digitais, permitindo estadias mais longas mediante comprovação de renda, seguro e vínculo profissional com empresas estrangeiras.
Para o trabalhador americano, essa alternativa pode representar:
* redução do custo mensal;
* maior flexibilidade;
* contato com novas culturas;
* possibilidade de viajar com mais frequência;
* melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Por outro lado, a mudança exige atenção às regras fiscais e migratórias tanto dos Estados Unidos quanto do país de destino.
Qualidade de vida também pesa na decisão
A busca por qualidade de vida não está limitada ao custo financeiro.
Muitos americanos interessados em morar fora citam fatores como:
* acesso a transporte público;
* sistema de saúde;
* segurança;
* equilíbrio entre trabalho e vida pessoal;
* ritmo de vida mais tranquilo;
* educação;
* licença parental;
* proximidade com a natureza;
* possibilidade de viajar entre diferentes países.
Na Europa, a facilidade de deslocamento entre países também costuma ser valorizada.
Na América Latina, o clima, a proximidade dos Estados Unidos e o custo de vida são fatores importantes.
Mulheres mais jovens lideram a mudança de percepção
O destaque da pesquisa da Gallup está na diferença entre as mulheres de 15 a 44 anos e os demais grupos da população.
O percentual de 40% representa o maior nível já medido nessa faixa.
A Gallup não atribui o resultado a uma única razão. A mudança pode reunir questões relacionadas a:
* oportunidades profissionais;
* segurança econômica;
* maternidade;
* acesso à saúde;
* direitos individuais;
* ambiente político;
* expectativas sobre o futuro;
* qualidade de vida.
A pesquisa mostra uma alteração significativa na forma como parte das mulheres americanas avalia a possibilidade de construir a vida em outro país.
Renunciar à cidadania é diferente de morar no exterior
Morar em outro país não significa abandonar a cidadania americana.
Cidadãos dos Estados Unidos podem viver no exterior mantendo o passaporte e todos os seus direitos de nacionalidade.
A renúncia formal à cidadania é um processo separado e pode envolver consequências tributárias, patrimoniais e migratórias.
O sistema tributário americano também possui regras específicas para cidadãos que vivem fora do país. Em determinadas situações, rendimentos obtidos no exterior podem ser excluídos parcialmente da tributação federal, desde que o contribuinte cumpra requisitos de residência ou presença física.
Para o ano fiscal de 2025, o limite máximo da exclusão de renda obtida no exterior foi de US$ 130 mil por pessoa. Em 2026, o valor subiu para US$ 132,9 mil.
Isso não elimina automaticamente todas as obrigações fiscais. Americanos residentes no exterior geralmente continuam sujeitos à apresentação de declarações e documentos ao governo dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos continuam atraindo imigrantes
O aumento do interesse de parte dos americanos em morar fora não significa que os Estados Unidos tenham deixado de ser um destino de imigração.
Em 2024, o país abrigava 52,4 milhões de migrantes internacionais, o maior contingente entre todas as nações do mundo.
Globalmente, o número de pessoas vivendo em um país diferente daquele em que nasceram chegou a aproximadamente 304 milhões em 2024.
Portanto, os Estados Unidos continuam exercendo forte atração sobre trabalhadores, estudantes, famílias e investidores estrangeiros, ao mesmo tempo em que uma parcela de sua própria população considera viver no exterior.
Turismo internacional pode funcionar como primeiro contato
Antes de decidir pela mudança permanente, muitas pessoas conhecem o possível país de destino durante viagens de férias.
Uma visita permite avaliar:
* custo de vida;
* bairros;
* transporte;
* segurança;
* sistema de saúde;
* escolas;
* idioma;
* clima;
* infraestrutura;
* adaptação cultural.
Por isso, o recorde de viagens internacionais pode contribuir para ampliar o interesse dos americanos em morar fora, embora não prove uma relação direta de causa e efeito.
Viajar com frequência também torna o exterior menos distante e facilita a criação de vínculos pessoais e profissionais.
Mercado especializado cresce com a procura
O interesse pela vida no exterior movimenta um mercado de serviços especializados.
Empresas, advogados e consultores oferecem orientação sobre:
* vistos;
* residência;
* cidadania;
* compra de imóveis;
* tributação;
* aposentadoria;
* seguro-saúde;
* mudança internacional;
* abertura de empresas;
* planejamento patrimonial.
Eventos e feiras voltados à vida no exterior também passaram a apresentar destinos como Portugal, Espanha, México, Costa Rica e Panamá.
No entanto, interessados devem verificar a credibilidade dos profissionais e evitar promessas de residência garantida, cidadania rápida ou benefícios fiscais sem respaldo legal.
Não há comprovação de uma saída permanente recorde
Apesar do título viralizado nas redes sociais, os dados disponíveis sustentam com mais segurança duas afirmações:
A primeira é que o desejo de morar fora atingiu nível recorde entre as mulheres americanas de 15 a 44 anos.
A segunda é que as viagens internacionais realizadas por residentes dos Estados Unidos bateram recorde em 2024.
Não existe, porém, um dado oficial abrangente demonstrando que o número total de americanos que efetivamente abandonou o país de forma permanente tenha alcançado um recorde histórico.
A interpretação correta exige separar:
* intenção de emigrar;
* viagem internacional;
* residência temporária no exterior;
* mudança permanente;
* renúncia à cidadania.
Cada situação é medida por fontes e metodologias diferentes.
Uma mudança na relação dos americanos com o exterior
Os números mostram que os americanos estão mais conectados ao mundo.
O recorde de viagens internacionais, a emissão elevada de passaportes e o aumento do desejo de viver fora entre mulheres jovens indicam uma transformação na relação da população com outros países.
O exterior deixou de ser visto apenas como destino de férias e passou a representar, para parte dos americanos, uma possibilidade concreta de trabalho, estudo, aposentadoria ou recomeço.
Ainda não é possível afirmar que os Estados Unidos enfrentam uma saída permanente em massa. Mas há sinais claros de que um número crescente de cidadãos está considerando alternativas internacionais para o futuro.