Tendências de viagens para 2027: destinos em alta

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Tendências de viagens para 2027: destinos em alta

Skyscanner, Hilton, Hotels.com e Virtuoso revelam mudanças no comportamento dos viajantes. Cabo Verde lidera o crescimento das buscas brasileiras, enquanto Ásia, África e destinos de experiências ganham espaço no turismo internacional.

O mercado de turismo se prepara para 2027 com mudanças no comportamento dos viajantes e oportunidades para destinos que vão além dos roteiros tradicionais. Levantamentos internacionais divulgados em outubro de 2026 mostram o crescimento do interesse por viagens culturais, experiências personalizadas, natureza, grandes eventos e alternativas que permitam aproveitar melhor o orçamento.

Segundo o relatório Travel Trends 2027, do Skyscanner, 64% dos brasileiros pretendem viajar tanto quanto ou mais em 2027, mesmo diante das preocupações com o custo das viagens. O estudo reuniu informações da plataforma e entrevistas com 28 mil pessoas de diferentes mercados, incluindo mil brasileiros.

Entre os destinos que mais cresceram nas pesquisas por passagens aéreas estão Praia, em Cabo Verde, com alta de 207,91%, Arequipa, no Peru, com 183,91%, e Luanda, em Angola, com 178,32%. O levantamento também destaca cidades na China, Argentina, Bolívia, Vietnã e Brasil.

Paralelamente, países e cidades que já possuem presença consolidada no turismo internacional, como Dubai e Marrocos, apresentam indicadores relevantes de movimentação turística, embora com trajetórias diferentes em 2026.

As tendências são reforçadas por pesquisas da rede Hilton, da Hotels.com e da Virtuoso, que identificam novas prioridades de consumo, como viagens mais curtas, bem-estar, roteiros familiares, turismo motivado por filmes e séries e experiências ligadas a interesses pessoais.

Os 10 destinos com maior crescimento nas buscas de brasileiros para 2027

Variação das buscas por passagens aéreas de ida e volta no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Fonte: Skyscanner.

DestinoCrescimento
Praia, Cabo Verde+207,91%
Arequipa, Peru+183,91%
Luanda, Angola+178,32%
Alicante, Espanha+175,11%
Pequim, China+132,76%
El Calafate, Argentina+109,35%
Uyuni, Bolívia+106,73%
Altamira, Brasil+94,92%
Hanói, Vietnã+94,75%
Bonito, Brasil+63,46%

Os percentuais representam crescimento relativo no volume de pesquisas, não aumento confirmado de passageiros ou reservas. Destinos com bases menores de buscas podem apresentar variações percentuais mais expressivas.

Entre as tendências identificadas está a diversificação geográfica dos roteiros. A presença de Cabo Verde e Angola entre os três primeiros colocados reforça a visibilidade de destinos africanos, enquanto Arequipa, El Calafate e Uyuni mostram o interesse por experiências culturais e naturais na América do Sul.

Na Europa, Alicante surge como alternativa aos itinerários tradicionais por Madri e Barcelona. Na Ásia, Pequim e Hanói representam possibilidades para viagens que combinam patrimônio histórico, gastronomia, cultura e novas experiências.

Uyuni, Bolívia

Arequipa, Peru

Praia, Cabo Verde

El Calafate, Argentina

Dubai: destino registrou 19,59 milhões de visitantes em 2025, mas enfrenta retração em 2026

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Dubai continua sendo um dos principais polos de turismo, hotelaria e entretenimento do Oriente Médio. Entretanto, os dados disponíveis mostram uma diferença importante entre o desempenho recorde de 2025 e a evolução do mercado em 2026.

Segundo o Departamento de Economia e Turismo de Dubai, o emirado recebeu 19,59 milhões de visitantes internacionais com pernoite em 2025, crescimento de 5% em relação aos 18,72 milhões registrados em 2024. Foi o terceiro ano consecutivo de recorde de visitantes.

Em 2026, o cenário mudou. De janeiro a agosto, Dubai recebeu 6,97 milhões de visitantes internacionais com pernoite. Somente em agosto foram aproximadamente 869 mil visitantes, o maior volume mensal desde fevereiro, indicando recuperação gradual após a forte redução do fluxo internacional provocada pelas tensões e interrupções regionais.

A hotelaria manteve uma estrutura de grande escala, com inventário próximo de 149 mil quartos até agosto e 21,61 milhões de diárias ocupadas nos primeiros oito meses do ano.

Mesmo diante dos desafios conjunturais, Dubai preserva uma oferta diversificada de produtos turísticos, que inclui resorts de luxo, gastronomia internacional, compras, parques temáticos, experiências no deserto e eventos corporativos.

A estratégia de longo prazo está associada à Agenda Econômica D33, que busca ampliar a relevância internacional do emirado como centro de negócios e turismo.

Os resultados de 2025 demonstram a dimensão do destino, mas os números de 2026 exigem cautela nas projeções para 2027. A evolução do fluxo aéreo, da segurança regional e da confiança dos viajantes será determinante para a retomada.

Marrocos: turismo alcança 19,8 milhões de visitantes e mantém crescimento em 2026

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O Marrocos apresenta uma trajetória de crescimento sustentado no turismo internacional, impulsionada por investimentos em infraestrutura, conectividade aérea, hotelaria e diversificação de produtos.

O país encerrou 2025 com 19,8 milhões de chegadas de visitantes, um crescimento de 14% em comparação com 2024. Foram aproximadamente 2,4 milhões de visitantes adicionais em um ano.

O resultado também representou uma expansão de 53% em relação ao volume registrado em 2019, antes da pandemia.

Os indicadores mais recentes mostram a continuidade desse movimento: até setembro de 2026, o Marrocos contabilizou 15,7 milhões de chegadas, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Ministério do Turismo, Artesanato e Economia Social e Solidária do país.

O desempenho faz parte da estratégia marroquina de desenvolvimento turístico, que prevê alcançar 26 milhões de turistas até 2030.

Entre os destinos que compõem a oferta do país estão Marrakech, conhecida pela medina histórica e pelos hotéis instalados em antigos riads; Fez, com patrimônio cultural e arquitetura tradicional; Casablanca, importante centro econômico; Rabat, capital administrativa; e Agadir, associada ao turismo de praia.

O deserto do Saara e as Montanhas do Atlas também ampliam as possibilidades de roteiros que combinam aventura, natureza e imersão cultural.

A expansão do turismo marroquino ganha relevância adicional diante da preparação do país para sediar, juntamente com Espanha e Portugal, a Copa do Mundo da FIFA de 2030, evento que impulsiona projetos de infraestrutura e desenvolvimento turístico.

Ao contrário dos percentuais do Skyscanner, os dados de Marrocos representam chegadas efetivamente registradas, permitindo avaliar a evolução real do fluxo turístico do país.

Japão, China e Coreia do Sul ganham destaque no turismo de luxo

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O turismo de alto padrão também passa por mudanças. O Virtuoso Luxe Report 2027, elaborado a partir da percepção de consultores de viagens especializados no segmento de luxo, aponta uma maior presença de destinos asiáticos nas preferências dos consumidores.

O Japão conquistou a primeira posição entre os destinos globais de luxo no levantamento de 2027, ultrapassando a Itália. Tóquio e Kyoto também aparecem entre as cidades de maior destaque.

Entre os destinos internacionais em ascensão, a China ocupa a primeira colocação, enquanto Coreia do Sul, Vietnã e Egito também figuram entre os mercados que despertam atenção.

Na América Latina e no Caribe, as viagens em família lideram as tendências do turismo de luxo, seguidas por aventura, roteiros multigeracionais, cruzeiros de expedição e imersão cultural.

O relatório também indica uma mudança no perfil das experiências procuradas. O interesse não está concentrado exclusivamente em hospedagens sofisticadas, mas em viagens que ofereçam acesso à cultura local, serviços personalizados e atividades que não fazem parte de roteiros convencionais.

Filmes e séries influenciam a escolha dos destinos em 2027

O turismo inspirado por produções audiovisuais, conhecido internacionalmente como set-jetting, continua ganhando força.

Segundo levantamento divulgado pela Hotels.com, 65% dos brasileiros entrevistados pesquisam destinos que aparecem em filmes e séries. Além disso, 48% consideram realizar uma viagem inspirada por essas produções, enquanto 19% afirmam já ter feito uma reserva por essa motivação.

Produções como Emily em Paris, Bridgerton, O Senhor dos Anéis e Moana exemplificam o potencial de transformação de cenários de filmagem e referências culturais em produtos turísticos.

Paris, na França, Bath, no Reino Unido, e diferentes regiões da Nova Zelândia são exemplos de destinos que podem receber visitantes interessados em conhecer lugares associados a narrativas populares.

O fenômeno amplia oportunidades para passeios temáticos, visitas guiadas, hospedagens relacionadas a locações e experiências que combinam entretenimento e patrimônio cultural.

Música, festivais e eventos esportivos movimentam o turismo

A realização de grandes eventos também figura entre os fatores que influenciam a escolha de destinos internacionais.

De acordo com o relatório de tendências do Skyscanner, o Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 impulsionou um aumento de 108% nas buscas por voos para a cidade. Outro exemplo apresentado foi Porto Rico, que registrou alta de 150% nas pesquisas após a apresentação de Bad Bunny no Super Bowl.

Esses indicadores demonstram a capacidade dos eventos culturais de despertar interesse imediato por viagens, embora as oscilações nas buscas não representem necessariamente aumento equivalente nas vendas de passagens.

O estudo da Hilton acrescenta outra dimensão ao comportamento: 61% dos entrevistados afirmam que a perspectiva de participar de um evento com data definida, como um show, corrida ou festival, pode motivar a reserva de uma viagem.

O calendário internacional de eventos esportivos, festivais, apresentações musicais e grandes competições permanece, portanto, um importante elemento de planejamento para o mercado turístico.

Viagens curtas ganham espaço e brasileiros buscam alternativas para o orçamento

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A possibilidade de realizar viagens menores, distribuídas ao longo do ano, aparece entre as mudanças identificadas nas pesquisas.

Segundo dados apresentados pela Hotels.com, 79% dos viajantes entrevistados globalmente pretendem reservar uma estadia de uma noite em 2027. Entre os brasileiros, a intenção alcança 92%.

A Hilton também identifica o crescimento das chamadas microtrips, viagens de curta duração. Em seu levantamento internacional, 21% dos entrevistados pretendem incluir mais escapadas desse tipo nos planos para 2027.

A preferência por viagens curtas acompanha uma preocupação crescente com o aproveitamento do tempo e dos recursos disponíveis.

No Brasil, 57% dos participantes da pesquisa do Skyscanner afirmam já ter mudado de destino para aproveitar condições cambiais mais favoráveis.

O levantamento também identificou reduções nos preços das passagens em determinadas rotas com origem em São Paulo, ampliando as possibilidades de planejamento para viagens internacionais.

Passagens aéreas: destinos com maiores reduções de preços

Variações observadas pelo Skyscanner nas rotas analisadas para 2027, com origem em São Paulo. Os percentuais não representam tarifas fixas.

DestinoRedução
Praia, Cabo Verde-76%
Cidade do México, México-26%
Xangai, China-25%
Tampa, Estados Unidos-13%
Campina Grande, Brasil-9%
Sydney, Austrália-8%
Nova York, Estados Unidos-7%
Estocolmo, Suécia-5%
Nice, França-5%
San Andrés, Colômbia-3%

O destaque é Praia, em Cabo Verde, que aparece simultaneamente como o destino com maior crescimento nas buscas e a rota com a maior redução percentual de preço.

Tampa, na Flórida, também integra o levantamento, com queda de 13% nas tarifas observadas. A cidade possui relevância para o turismo brasileiro por sua localização na costa oeste da Flórida e pela possibilidade de integração com roteiros que incluem Orlando e os parques temáticos da região.

Os resultados precisam ser interpretados conforme os períodos pesquisados, a disponibilidade de voos e as condições comerciais.

Bem-estar, natureza e desconexão digital influenciam as viagens de 2027

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O turismo de bem-estar também apresenta indicadores consistentes de interesse.

Segundo o Hilton 2027 Trends Report, produzido a partir de entrevistas com mais de 14 mil viajantes em 14 países, 76% afirmam que viajar permite recuperar as energias físicas e mentais de maneira que dificilmente conseguem em casa.

Outros 79% consideram o ar fresco e o contato com ambientes naturais essenciais para relaxar durante as férias.

A procura por experiências ligadas à saúde física e emocional acompanha a expansão de produtos turísticos como retiros, hotéis com programas de bem-estar, atividades ao ar livre e roteiros de ecoturismo.

A tendência também está relacionada à redução do uso constante de dispositivos eletrônicos. No levantamento do Skyscanner, 31% dos viajantes da Geração Z afirmam planejar momentos de desconexão digital em 2027.

Destinos como Bonito, no Mato Grosso do Sul, El Calafate, na Argentina, e regiões naturais da América Latina reúnem características compatíveis com essa demanda por experiências ao ar livre.

Turismo em 2027 combina experiências personalizadas e planejamento financeiro

Os relatórios de tendências apontam para um mercado no qual diferentes perfis de consumo avançam simultaneamente.

Enquanto alguns viajantes procuram destinos alternativos e tarifas mais competitivas, outros priorizam serviços exclusivos, roteiros multigeracionais, experiências culturais ou deslocamentos motivados por shows, festivais e eventos esportivos.

Essa diversidade também aparece na distribuição geográfica da demanda. O crescimento das buscas por Cabo Verde, Peru, Angola e China ocorre ao lado da expansão consolidada de mercados como o Marrocos e dos esforços de recuperação turística de Dubai.

Para operadoras de turismo, agências de viagens, companhias aéreas e redes hoteleiras, os estudos oferecem indicadores sobre mudanças nas preferências dos consumidores, mas exigem análises complementares de reservas, capacidade aérea, tarifas e fluxo efetivo de visitantes.

Os números mostram que a intenção de viajar permanece elevada entre os brasileiros para 2027, embora o preço, a conectividade aérea e o contexto econômico e geopolítico continuem determinantes na conversão desse interesse em viagens realizadas.

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