País recebeu 3.742.374 turistas estrangeiros entre janeiro e março, alcançou cerca de 50% da meta anual e movimentou US$ 3,21 bilhões em receitas internacionais no período
O turismo internacional no Brasil começou 2026 mantendo o país em um novo patamar de chegadas estrangeiras. Entre janeiro e março, foram registradas 3.742.374 entradas de turistas internacionais, o maior volume já contabilizado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado representa crescimento de 0,1% em comparação com o mesmo período de 2025, que até então detinha o recorde. Embora a variação percentual seja pequena, o desempenho confirma a manutenção dos elevados fluxos registrados no ano anterior e mostra que o avanço de 2025 não ficou restrito a um movimento pontual.
O relatório de resultados do Ministério do Turismo também informa que somente em março de 2026 o Brasil recebeu 1.053.098 visitantes estrangeiros, número 13,3% superior ao registrado em março de 2025 e o melhor desempenho histórico para o mês.
Brasil alcança metade da meta anual em apenas três meses
A meta estabelecida para 2026 no âmbito do Plano Nacional de Turismo 2024–2027 é de 7,5 milhões de chegadas internacionais.
Com os 3,74 milhões de visitantes contabilizados até março, o país atingiu aproximadamente 50% da meta anual ainda no primeiro trimestre. O Ministério do Turismo considera que o resultado indica uma trajetória consistente para o cumprimento do objetivo, embora ressalte que a evolução precisa continuar sendo monitorada por causa da sazonalidade da demanda internacional.
O dado também chama atenção porque a meta de 7,5 milhões ficou abaixo do resultado efetivamente alcançado em 2025, quando o Brasil recebeu cerca de 9,3 milhões de visitantes estrangeiros. Isso mostra que o desempenho recente avançou mais rapidamente do que as projeções originalmente estabelecidas para o período.
Para o mercado, a comparação reforça a necessidade de atualização das metas e de planejamento compatível com o novo volume de passageiros, sobretudo em aeroportos, destinos de entrada, meios de hospedagem, transporte terrestre e serviços receptivos.
Brasil recebeu número recorde de turistas internacionais em 2025
O relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, confirma que o Brasil encerrou 2025 com aproximadamente 9,3 milhões de chegadas internacionais.
O volume representou crescimento de 37,1% em relação a 2024, quando o país recebeu quase 6,8 milhões de turistas estrangeiros.
A expansão colocou 2025 como o melhor ano da história do turismo internacional brasileiro e ampliou a distância em relação aos patamares anteriores à pandemia.
Dados da Embratur apresentam um resultado mais preciso de 9,29 milhões de visitantes internacionais em 2025, alta de cerca de 37% na comparação anual. A agência também registrou crescimento de 16,5% na oferta de novos voos internacionais e a geração de 137.452 empregos formais diretamente relacionados ao setor no período.
Gastos de estrangeiros chegaram a quase US$ 7,9 bilhões
Além do aumento do fluxo de visitantes, o turismo internacional também ampliou a entrada de recursos na economia brasileira.
De acordo com a OCDE, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil chegaram a quase US$ 7,9 bilhões em 2025. O valor ficou 31,2% acima do nível nominal registrado antes da pandemia.
Considerando uma cotação meramente ilustrativa de R$ 5,24 por dólar, o total corresponde a aproximadamente R$ 41,4 bilhões. A conversão em reais pode variar conforme a taxa de câmbio utilizada e não representa um valor oficial consolidado em moeda brasileira.
Os dados da Embratur apontam US$ 7,86 bilhões em divisas geradas pelo turismo internacional em 2025, aumento de 7,1% sobre o ano anterior.
A diferença entre o crescimento do número de visitantes, de 37,1%, e a alta das receitas, de aproximadamente 7%, indica que o avanço quantitativo não foi acompanhado na mesma proporção pelo gasto médio. Esse movimento merece atenção do setor, pois o desenvolvimento do turismo receptivo depende não apenas de atrair mais viajantes, mas também de aumentar a permanência, a circulação regional e o consumo de produtos e experiências no país.
Receita do primeiro trimestre de 2026 chega a US$ 3,21 bilhões
Entre janeiro e março de 2026, a receita cambial gerada por turistas internacionais no Brasil totalizou aproximadamente US$ 3,21 bilhões, conforme o relatório do Ministério do Turismo.
O valor corresponde a cerca de 42% da meta anual de US$ 7,7 bilhões prevista para 2026.
O resultado econômico elevado no início do ano está associado ao período de verão no Brasil, ao Carnaval e à forte presença de visitantes provenientes da América do Sul. Ainda assim, a receita de US$ 3,21 bilhões em apenas três meses demonstra a importância crescente do turismo receptivo para a geração de divisas, a hotelaria, a alimentação, o transporte, o entretenimento e o comércio.
Caso o ritmo fosse mantido de maneira linear, o país ultrapassaria com folga a meta anual. A projeção, porém, não pode ser feita de forma automática, porque o fluxo de turistas varia ao longo do ano e possui forte influência sazonal.
Argentina lidera os mercados emissores para o Brasil
A Argentina permaneceu como o principal mercado internacional para o turismo brasileiro em 2025, respondendo por 36,5% das chegadas estrangeiras.
Na sequência apareceram:
* Chile, com 8,6%;
* Estados Unidos, com 8,2%;
* Paraguai, com 5,7%.
Os quatro países concentraram aproximadamente 59% das chegadas internacionais registradas no Brasil em 2025.
A elevada participação dos mercados sul-americanos demonstra a importância das fronteiras terrestres, dos voos regionais e da competitividade cambial para o turismo receptivo brasileiro.
Ao mesmo tempo, a presença dos Estados Unidos entre os três principais emissores reforça o potencial das ligações aéreas de longa distância e de segmentos com maior gasto, como turismo de luxo, natureza, gastronomia, cultura e viagens de negócios.
Conectividade aérea ajuda a explicar o crescimento
O próprio Ministério do Turismo aponta a ampliação da conectividade aérea, o fortalecimento da promoção internacional e a maior atratividade do Brasil no mercado global como fatores que podem ter contribuído para os resultados recentes.
A expansão da oferta internacional facilita o acesso a destinos brasileiros, reduz a dependência de conexões e cria condições para que novos mercados sejam trabalhados por companhias aéreas, operadoras e destinos.
No entanto, o crescimento da conectividade precisa ser acompanhado por políticas voltadas à continuidade das rotas. Voos inaugurados sem demanda consistente, distribuição adequada ou ações comerciais integradas podem ter dificuldade para se manter no longo prazo.
Para ampliar os resultados, será necessário alinhar promoção, oferta aérea, comercialização, capacitação do trade e presença dos produtos brasileiros nos principais canais internacionais.
Recordes aumentam a pressão sobre infraestrutura e serviços
O aumento do turismo internacional representa uma oportunidade econômica, mas também amplia a necessidade de investimentos.
A experiência do visitante começa nos aeroportos, portos e fronteiras e continua nos serviços de transporte, hospedagem, alimentação, sinalização, conectividade, segurança e atendimento em outros idiomas.
Destinos que recebem volumes crescentes de estrangeiros precisam estar preparados para oferecer:
* informações multilíngues;
* serviços de qualidade;
* meios de pagamento acessíveis;
* mobilidade eficiente;
* conectividade digital;
* acessibilidade;
* atendimento profissional;
* integração entre atrações e regiões.
O desafio não é apenas receber mais turistas, mas garantir que eles permaneçam mais tempo, visitem diferentes destinos, aumentem seus gastos e recomendem o Brasil.
Oportunidades para agentes de viagens e operadores
O crescimento do turismo receptivo amplia as oportunidades para agências, operadoras, empresas de turismo receptivo, hotéis e fornecedores especializados.
Produtos capazes de combinar diferentes experiências podem contribuir para aumentar a permanência e o gasto médio dos visitantes. Entre as possibilidades estão roteiros que integrem praias, natureza, gastronomia, cultura, grandes eventos, cidades históricas, ecoturismo e turismo de negócios.
Também existe espaço para produtos direcionados a segmentos específicos, como:
* luxo;
* aventura;
* observação da natureza;
* turismo esportivo;
* gastronomia;
* bem-estar;
* viagens de incentivo;
* eventos corporativos;
* turismo de base comunitária;
* experiências culturais.
A distribuição internacional continua sendo um ponto estratégico. Para transformar interesse em vendas, os produtos brasileiros precisam estar disponíveis para operadores, agências e plataformas dos principais mercados emissores, com informações claras, tarifas competitivas e confirmação eficiente.
Crescimento precisa ser convertido em permanência e receita
Os dados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026 mostram que o Brasil avançou na atração de visitantes estrangeiros. O próximo desafio será converter esse crescimento em resultados econômicos mais amplos e distribuídos.
Isso exige políticas que não se limitem ao número de chegadas. Permanência média, gasto por visitante, ocupação hoteleira, dispersão regional, conectividade e geração de empregos também precisam ser considerados na avaliação do desempenho.
O país começou 2026 com o maior primeiro trimestre de sua história e já alcançou metade da meta anual de turistas internacionais. Ao mesmo tempo, recebeu US$ 3,21 bilhões em receitas no período.
A continuidade desse movimento dependerá da capacidade de o Brasil transformar visibilidade internacional em conectividade, produtos estruturados, qualidade de atendimento e negócios para toda a cadeia do turismo.