O balanço preliminar da Copa do Mundo de 2026 mostra que o impacto do torneio sobre o turismo dos Estados Unidos, Canadá e México foi menos uniforme do que o setor esperava.
Hotéis e imóveis de curta temporada conseguiram elevar receitas principalmente nos dias de jogos e nas noites anteriores às partidas. Entretanto, o desempenho foi impulsionado, em grande parte, pelo aumento das tarifas. Em diversas cidades-sede, a ocupação permaneceu próxima aos níveis de 2025 ou chegou a registrar queda na comparação anual.
Os primeiros resultados indicam que a Copa funcionou mais como um evento de valorização das diárias do que como uma expansão contínua do número de hóspedes durante todo o período do campeonato.
Ao mesmo tempo, a recuperação do turismo internacional nos Estados Unidos continua mais fraca do que o projetado. A Tourism Economics reduziu de 3,4% para 2,4% sua previsão de crescimento das chegadas de visitantes com pernoite ao país em 2026.
Copa do Mundo trouxe resultados diferentes entre as cidades-sede
A Copa do Mundo de 2026 foi realizada em 16 cidades da América do Norte, sendo 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá.
Por sua dimensão, o campeonato era tratado como uma oportunidade histórica para hotéis, restaurantes, empresas de transporte, atrações turísticas e proprietários de imóveis por temporada.
Os dados iniciais, porém, mostram que os ganhos ficaram concentrados em determinados dias, cidades e confrontos. Partidas de seleções com grandes torcidas internacionais provocaram picos importantes, enquanto outros jogos tiveram impacto mais limitado.
Essa diferença ajuda a explicar por que alguns hotéis apresentaram forte crescimento de receita mesmo sem registrar aumento equivalente na ocupação.
Hotéis ganharam mais com as tarifas do que com a ocupação
Durante a primeira semana do torneio, a receita por quarto disponível, indicador conhecido como RevPAR, avançou entre 24% e 133% em diferentes cidades-sede.
O crescimento, porém, foi sustentado principalmente pelas tarifas mais altas. Em muitos mercados, a ocupação ficou abaixo das expectativas iniciais e, em alguns casos, recuou até 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O RevPAR combina dois elementos:
* a diária média cobrada pelo hotel;
* a proporção de quartos ocupados.
Por isso, o indicador pode subir mesmo quando a ocupação não cresce, desde que o estabelecimento consiga cobrar mais pelos quartos vendidos.
Foi justamente esse movimento observado em parte das cidades da Copa do Mundo de 2026.
Dias de jogos concentraram os melhores resultados
As datas com partidas foram as mais importantes para o setor de hospedagem.
Hotéis próximos aos estádios, regiões de festas oficiais e áreas com maior concentração de torcedores conseguiram cobrar valores superiores, especialmente na noite anterior e no dia do jogo.
Fora dessas janelas, a procura foi mais irregular.
O comportamento sugere que muitos torcedores fizeram viagens curtas, permanecendo apenas o tempo necessário para assistir às partidas. Outros se hospedaram em cidades próximas ou combinaram diferentes destinos durante o torneio.
A força de cada seleção também interferiu no resultado. Jogos envolvendo equipes com grande base de torcedores viajantes, como Brasil, México, Argentina, Inglaterra e Alemanha, tendem a gerar uma procura maior do que confrontos com menor deslocamento internacional.
Imóveis de curta temporada também elevaram preços
Os imóveis anunciados em plataformas de locação por temporada registraram forte valorização das diárias durante o campeonato.
Dados reunidos pela AirROI indicaram que a tarifa média diária nos 16 mercados-sede chegou a cerca de US$ 450 durante o período do torneio, avanço de 109% em relação ao ano anterior.
O crescimento, entretanto, não significou ocupação elevada em todos os destinos.
Análises do mercado de locações de curta duração apontaram que as tarifas avançaram entre 50% e 200% em algumas cidades, enquanto a ocupação permaneceu estável ou recuou na maioria dos mercados analisados.
Muitos proprietários elevaram os preços meses antes da Copa, esperando uma procura extraordinária. Quando as reservas não avançaram no mesmo ritmo, parte deles precisou reduzir os valores próximo às datas dos jogos.
A Copa foi um evento de preço, não necessariamente de volume
O comportamento das hospedagens mostra uma distinção importante entre receita e volume de visitantes.
Em vários mercados, os hotéis faturaram mais porque cobraram diárias mais elevadas. Isso não significa necessariamente que as cidades receberam um número muito maior de turistas durante todo o período.
O efeito ficou concentrado em momentos específicos:
* dias de jogos;
* noites anteriores às partidas;
* confrontos de seleções mais populares;
* fases eliminatórias;
* cidades com melhor conectividade aérea;
* destinos que já possuíam forte demanda turística.
Por isso, o impacto médio do torneio pode parecer modesto, mesmo quando determinados hotéis, bares ou bairros registraram resultados excepcionais.
Houston exemplifica o resultado misto
Houston recebeu sete partidas e vendeu mais de 480 mil ingressos, com participação expressiva de compradores internacionais.
Apesar do movimento, a ocupação hoteleira da cidade ficou praticamente estável. A receita dos hotéis aumentou principalmente porque as diárias foram mais altas durante os dias de jogos.
Empresas ligadas ao turismo apresentaram desempenhos diferentes. Alguns restaurantes tiveram grande movimento quando seleções populares jogaram na cidade, enquanto outros negócios relataram resultados abaixo das expectativas.
Os aeroportos de Houston transportaram aproximadamente 4,5 milhões de passageiros durante o período do torneio. Lideranças locais também destacaram a exposição internacional da cidade como um benefício de longo prazo, ainda difícil de medir financeiramente.
Kansas City e Philadelphia apareceram entre os destaques
Algumas cidades conseguiram aproveitar melhor o fluxo de torcedores.
Kansas City e Philadelphia estiveram entre os mercados que registraram crescimento expressivo do consumo em bares, restaurantes, hotéis e comércio local.
Dados citados pelo Wall Street Journal indicaram que a receita por quarto disponível dos hotéis aumentou aproximadamente 35% nos dias de jogos. O gasto doméstico também avançou durante junho, embora esse levantamento não incluísse os gastos realizados por visitantes estrangeiros.
Kansas City apresentou um dos maiores crescimentos de receita hoteleira entre as cidades norte-americanas, enquanto Philadelphia recebeu forte movimento de torcedores internacionais e consumidores locais.
Esses resultados reforçam que o impacto da Copa dependeu do calendário, das seleções recebidas, da localização dos estádios e da capacidade de cada cidade de transformar o evento em consumo turístico.
Nova York teve grande exposição, mas resultado econômico é complexo
A região de Nova York e Nova Jersey recebeu partidas decisivas, incluindo a final da Copa do Mundo.
Hotéis próximos ao estádio e em áreas turísticas conseguiram cobrar valores elevados. Ao mesmo tempo, os preços altos podem ter afastado visitantes tradicionais que evitam destinos muito cheios ou caros durante grandes eventos.
Esse fenômeno é conhecido como efeito de substituição turística.
Ele acontece quando o público do evento ocupa parte dos hotéis e restaurantes, mas turistas habituais deixam de viajar para o destino por causa da lotação, do custo elevado ou das dificuldades de mobilidade.
Assim, o número de torcedores não representa automaticamente um ganho líquido equivalente para toda a economia local.
México também registrou impacto abaixo de algumas projeções
No México, o torneio gerou grande movimentação e visibilidade, mas o resultado econômico ficou abaixo de algumas expectativas iniciais.
O país recebeu 13 das 104 partidas. Analistas apontaram que o efeito sobre a economia foi temporário e concentrado nos setores diretamente relacionados ao campeonato.
Em algumas cidades, hotéis, restaurantes e empresas locais relataram desempenho inferior ao projetado. Estimativas do impacto econômico também foram reduzidas após o torneio.
Guadalajara apareceu como uma exceção entre os mercados de curta temporada, apresentando um crescimento mais consistente da ocupação. Uma possível explicação é a facilidade de deslocamento para parte dos visitantes regionais e a menor dependência de vistos para determinados públicos.
Expectativa de explosão nas reservas não se confirmou em todos os mercados
Antes do início do torneio, hotéis das cidades-sede já demonstravam preocupação com o ritmo das reservas.
Pesquisa da American Hotel & Lodging Association mostrou que 80% dos entrevistados consideravam as reservas abaixo das previsões iniciais.
Entre 65% e 70% dos participantes apontaram barreiras relacionadas a vistos e preocupações geopolíticas como fatores capazes de reduzir a demanda internacional.
Outro problema foi a liberação de blocos de quartos inicialmente reservados para equipes, patrocinadores e operações relacionadas à FIFA.
Essas reservas antecipadas criaram uma percepção de elevada procura. Quando parte dos quartos retornou ao mercado, hotéis tiveram de revisar preços e expectativas perto do torneio.
Tourism Economics reduz previsão para os Estados Unidos
A Tourism Economics revisou sua estimativa de crescimento das chegadas de visitantes com pernoite aos Estados Unidos em 2026.
A previsão anterior apontava alta de 3,4%, para aproximadamente 70,6 milhões de visitantes. O número foi posteriormente reduzido para 2,4%.
A alteração indica que o impulso gerado pela Copa do Mundo não foi suficiente para compensar completamente outros fatores que afetam o turismo internacional.
Entre eles estão:
* dificuldades para obtenção de vistos;
* percepção negativa sobre políticas migratórias;
* tensões geopolíticas;
* custo elevado das viagens;
* câmbio;
* redução de voos em determinados mercados;
* concorrência de outros destinos;
* substituição de turistas tradicionais durante grandes eventos.
A previsão ainda representa crescimento em relação a 2025, mas em ritmo inferior ao inicialmente projetado.
Estados Unidos ainda não recuperaram totalmente o turismo internacional
Os Estados Unidos receberam aproximadamente 68,3 milhões de turistas internacionais em 2025, queda de 5,5% em relação ao ano anterior.
O volume correspondia a cerca de 86% do nível registrado em 2019, último ano antes da pandemia.
A expectativa era que a Copa do Mundo de 2026 acelerasse a recuperação, especialmente por meio da chegada de torcedores estrangeiros.
Antes do torneio, estimativas indicavam que mais de um milhão de visitantes internacionais poderiam viajar aos Estados Unidos motivados pela competição.
Os dados preliminares mostram, porém, que o efeito positivo do evento foi limitado por uma demanda internacional mais fraca em outras partes do ano.
Chegadas de visitantes estrangeiros caíram em junho
Em junho de 2026, as chegadas de visitantes de países de fora dos Estados Unidos totalizaram aproximadamente 2,8 milhões, queda de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
É importante observar que esse indicador se refere aos chamados overseas visitors, categoria utilizada pelo National Travel and Tourism Office.
O número exclui visitantes do Canadá e do México e é calculado com base nos registros de entrada I-94.
No mesmo mês, o tráfego aéreo internacional total dos Estados Unidos chegou a 24,6 milhões de passageiros, considerando viajantes norte-americanos e estrangeiros. O volume recuou 1,6% na comparação anual.
Já as chegadas aéreas de passageiros não norte-americanos ficaram praticamente estáveis, com crescimento de apenas 0,2%.
Copa não conseguiu reverter sozinha a desaceleração
A queda nas chegadas estrangeiras em junho chama atenção porque o mês coincidiu com o início da Copa do Mundo.
O resultado sugere que o torneio atraiu torcedores, mas não conseguiu gerar crescimento suficiente para compensar a redução de outros perfis de visitantes.
Alguns turistas podem ter evitado viajar aos Estados Unidos durante a competição por causa de:
* tarifas elevadas;
* expectativa de cidades lotadas;
* dificuldade para conseguir ingressos;
* preços de hospedagem;
* questões migratórias;
* receio de atrasos e problemas de mobilidade.
Assim, parte da procura criada pela Copa pode ter substituído viagens que normalmente aconteceriam por outros motivos.
Turismo doméstico ajudou a sustentar os resultados
O mercado interno teve papel importante durante a Copa.
Dados de consumo do Bank of America apontaram crescimento anual de 6,3% nos gastos domésticos em junho, o maior avanço em mais de quatro anos.
Bares, restaurantes, hotéis e lojas de algumas cidades-sede foram beneficiados pelo deslocamento de norte-americanos para acompanhar as partidas e participar de eventos relacionados ao campeonato.
Esse movimento ajuda a explicar por que algumas cidades apresentaram bons resultados econômicos mesmo sem uma expansão relevante no número de visitantes estrangeiros.
O turismo doméstico também foi favorecido pelas fan fests, transmissões públicas e eventos realizados fora dos estádios.
Restaurantes e comércio tiveram desempenho desigual
Assim como ocorreu com os hotéis, bares, restaurantes e lojas apresentaram resultados bastante diferentes.
Negócios localizados próximos aos estádios, áreas de concentração de torcedores e eventos oficiais tiveram maior possibilidade de crescimento.
Empresas fora desses corredores nem sempre receberam o movimento esperado.
Alguns consumidores também concentraram seus gastos nos eventos e reduziram despesas em outras atividades. Dessa forma, o aumento do movimento em uma região não necessariamente se espalhou por toda a cidade.
Os melhores resultados foram observados em estabelecimentos que adaptaram produtos, horários, comunicação e cardápios para as torcidas recebidas.
Cruzeiros, atrações e destinos próximos também disputaram o visitante
A Copa do Mundo de 2026 ocorreu durante a alta temporada de verão no Hemisfério Norte.
Nesse período, hotéis e destinos já disputam turistas com praias, parques temáticos, cruzeiros e grandes cidades.
Alguns visitantes combinaram os jogos com outros destinos. Torcedores que assistiram a partidas em Miami, por exemplo, puderam incluir praias, compras e cruzeiros no roteiro.
Partidas realizadas na Flórida também criaram possibilidades de combinação com uma viagem para Orlando e visitas aos parques temáticos.
Entretanto, o preço elevado das hospedagens e dos ingressos pode ter reduzido o orçamento disponível para prolongar a estadia.
Miami teve oportunidade de combinar futebol e turismo
A região de Miami recebeu sete partidas no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens.
Por ser um destino consolidado entre turistas internacionais, Miami possuía vantagens como conectividade aérea, praias, hotéis, gastronomia, vida noturna e proximidade com portos de cruzeiros.
Visitantes poderiam combinar a Copa com Fort Lauderdale, Florida Keys ou uma viagem para Orlando.
Mesmo assim, o comportamento observado em outras cidades mostra que a presença de jogos não garante automaticamente uma ocupação elevada durante todas as semanas do torneio.
O resultado depende da distribuição das partidas, dos preços praticados e do período de permanência dos torcedores.
Orlando não foi cidade-sede, mas poderia receber viagens combinadas
Orlando não recebeu partidas da Copa do Mundo, mas poderia se beneficiar indiretamente do fluxo de visitantes que viajaram para a Flórida.
Turistas internacionais que chegaram por Miami ou outras cidades poderiam incluir no roteiro:
* Walt Disney World;
* Universal Orlando Resort;
* Epic Universe;
* SeaWorld Orlando;
* outlets e centros de compras;
* atrações fora dos parques.
A viagem para Orlando é frequentemente combinada com Miami e Fort Lauderdale, especialmente entre brasileiros e turistas latino-americanos.
No entanto, o impacto indireto será mais difícil de medir, pois depende do tempo de permanência, da disponibilidade de voos e do orçamento utilizado durante a Copa.
Grandes eventos não garantem turismo adicional em todo o período
A Copa de 2026 reforça uma característica comum aos grandes eventos esportivos.
Eles podem produzir picos extraordinários de consumo e hospedagem em determinadas datas, mas não necessariamente elevam a procura durante toda a competição.
Também podem ocorrer quatro efeitos:
Concentração
O visitante chega apenas para o jogo e permanece pouco tempo.
Substituição
Turistas habituais deixam de visitar o destino durante o evento.
Deslocamento
O gasto se concentra perto do estádio e não se distribui por toda a cidade.
Inflação de preços
Hotéis e imóveis aumentam as tarifas, elevando a receita mesmo sem maior ocupação.
Esses fatores ajudam a explicar por que o impacto econômico pode ser positivo para algumas empresas e limitado para outras.
Receitas maiores não significam necessariamente mais empregos
Antes da Copa, projeções mencionavam a criação de milhares de empregos e bilhões de dólares em atividade econômica.
Os dados preliminares indicam que a contratação no setor de hospitalidade não apresentou aumento proporcional ao crescimento das receitas.
Isso ocorre porque hotéis e restaurantes podem atender uma procura temporária com horas extras, trabalhadores sazonais ou equipes já existentes.
Além disso, grande parte do aumento de receita veio das tarifas, e não de um crescimento expressivo no número de hóspedes.
A avaliação definitiva dependerá de dados sobre salários, empregos, impostos, consumo e custos públicos relacionados à organização do evento.
Custos das cidades também precisam entrar no cálculo
O impacto econômico de uma Copa do Mundo não deve ser avaliado apenas pelo faturamento de hotéis, bares e restaurantes.
As cidades também arcam com despesas relacionadas a:
* segurança;
* transporte;
* limpeza urbana;
* controle de trânsito;
* estruturas temporárias;
* fan fests;
* atendimento médico;
* comunicação;
* adequações nos estádios;
* operações aeroportuárias.
Parte desses custos pode ser financiada por patrocinadores, governos estaduais, comitês organizadores e receitas do próprio evento.
O resultado líquido só poderá ser calculado quando as despesas forem comparadas ao aumento de impostos, consumo e atividade econômica.
Exposição internacional pode gerar benefícios futuros
Mesmo quando o efeito financeiro imediato fica abaixo das projeções, as cidades podem obter ganhos de longo prazo.
A transmissão dos jogos apresenta os destinos a milhões de pessoas em diferentes países. Torcedores também compartilham experiências nas redes sociais, ajudando a construir ou alterar a imagem da cidade.
Houston, por exemplo, destacou a oportunidade de mostrar sua infraestrutura, cultura e hospitalidade a visitantes que tinham pouco conhecimento do destino.
Esses benefícios são mais difíceis de medir, mas podem influenciar futuras viagens, eventos e decisões de investimento.
Balanço definitivo ainda levará meses
Os dados disponíveis representam apenas uma avaliação preliminar.
O impacto completo da Copa dependerá da análise de:
* ocupação hoteleira;
* diárias médias;
* locações de curta temporada;
* chegadas internacionais;
* tráfego aéreo;
* gastos com cartões;
* arrecadação de impostos;
* empregos;
* consumo em restaurantes e lojas;
* custos assumidos pelas cidades;
* extensão das estadias;
* retorno futuro de visitantes.
Também será necessário separar o consumo gerado pela Copa daquele que já aconteceria normalmente durante o verão.
Copa de 2026 trouxe ganhos, mas não o boom generalizado esperado
Os primeiros números mostram que a Copa do Mundo de 2026 produziu benefícios importantes para hotéis, proprietários de imóveis, restaurantes e empresas localizadas nas áreas de maior movimento.
No entanto, o resultado não foi uniforme.
As maiores vantagens ficaram concentradas nos dias de jogos e foram sustentadas principalmente por diárias elevadas. Em várias cidades, a ocupação não aumentou e, em alguns casos, ficou abaixo do ano anterior.
A revisão da Tourism Economics, reduzindo para 2,4% a previsão de crescimento das chegadas com pernoite aos Estados Unidos, reforça que o campeonato não conseguiu resolver sozinho os desafios enfrentados pelo turismo internacional.
A queda de 1,8% nas chegadas de visitantes estrangeiros em junho também revela que o país ainda enfrenta dificuldades para converter a visibilidade da Copa em crescimento amplo e sustentável.
O torneio gerou picos de receita, movimentou torcedores e projetou as cidades-sede para o mundo. Mas os dados preliminares indicam que o legado turístico dependerá menos de um boom imediato e mais da capacidade de transformar essa exposição em novas viagens nos próximos anos.